quarta-feira, outubro 24, 2007

Receita de Leitura de Dr.Jivago


No dia em que retorno à navegação,verifico que três alunos meus estão muito tristes.Não podem vir para a escola porque adoeceram.Para consolar estes três pequerruchos,aqui deixo uma receita especial...uma receita de leitura.

Dose de amostra
Era uma vez um czar e uma czarina que,embora não tivessem filhos,viviam muito felizes no seu palácio.Um dia o czar partiu para a caça.O dia estava quente e,por isso,rapidamente ficou cheio de sede.Avistando um poço,aproximou-se,debruçou-se e já se dispunha a beber quando o Rei Urso o agarrou pela barba.
-Larga-me!-gritou assustado o czar.
-Só te largo se me prometeres dar o que desconheces ter em casa-afirmou o Urso.
«Mas que pode haver em minha casa,que eu não saiba?!»-pensava o soberano-«acho que sei o de tudo o que lá há!»
-Ofereço-te uma manada de vacas-propôs em voz alta.
-Não quero-foi a resposta.-Não quero manada nenhuma.
-Então aceita um bando de cavalos.
-E para que quero eu um bando de cavalos?-perguntou o rei Urso.-Dás-me mas é aquilo que desconheces ter em casa!
Quando lhe prometeu o que o rei Urso pedia, este libertou-lhe a barba e o czar pôde regressar ao seu palácio.
Porém,mal entrou,informaram-no,para seu grande espanto,de que a czarina dera à luz dois gémeos:o príncipe Ivan e a princesa Maria.Era então isto que ele não sabia que tinha em casa!Escondendo a cara entre as mãos,o czar chorou amargamente.

Excerto de Os mais belos contos da Rússia.Ilustrados por Mariana Beliayeva.Editora Civilização.

Composição (sou feito de ...)
Os mais belos contos da Rússia são histórias que aludem ao floclore,tradições,a magia da alma russa,a sabedoria popular,ora com características de melancolia,ora com divertida ironia.Toda a obra tem como referência as paisagens da Grande Mãe Rússia.Os desenhos e pinturas de Mariana Beliayeva recriam cenários,rostos,trajes de forma muito expressiva.

Indicações (sirvo para...)
Os mais belos contos da Rússia servem para de uma forma divertida,sonharmos com aventuras inesperadas,terras e países distantes,heróis e heroínas extraordinários.Servem para dar asas à nossa imaginação,viajar por mundos fantásticos.

Precauções (tenho de ter cuidado com...)
Deve-se ter o cuidado de se divulgar estes contos aos amigos e pedir aos pais que vos leiam estas histórias de encantar.

Posologia (devo ser tomado...)
Ler sempre um dos contos quando estejas aborrecido ou tenhas vontade de partir para uma aventura cheia de magia.À hora de se deitarem,escutarem um dos contos,na companhia dos pais,permite um soninho muito bom e cheio de momentos lindos.

Outras apresentações (recomendo...)
As crianças,jovens e adultos que gostaram destes contos russos,lembrem-se que em Portugal também há histórias muito bonitas.Recomendo Os contos tradicionais portugueses,reunidos por Consiglieri Pedroso.

Segunda-feira aconteceu alguma coisa nas bibliotecas escolares do meu agrupamento!
Via-se faixas a assinalar a data, os alunos andavam a trocar cartões com a sua recomendação de leitura, fizeram um concurso para o logotipo da sua BE, receberam convidados (pais e meninos do Jardim de Infância) e partilharam leituras com eles, até houve quem levasse um bolo!
A Junta de Freguesia ofereceu à BE da Ericeira um conjunto de livros e a Lia (a coordenadora)foi aprender técnicas para contar contos numa acção de formação do IPL na biblioteca de Mafra. Todos nos divertimos muito neste Dia Internacional das Bibliotecas Escolares.

terça-feira, outubro 23, 2007

Sugestão de leitura...



Iniciámos na última sessão as nossas recomendações de leituras (independentemente do suporte) com interesse para a área pedagógica.


Comecei a actividade, sugerindo um livro que conheci através de uma crónica do Manuel António Pina - A gramática é uma canção doce, de Erik Orsenna. A forma como "me" falou acerca da obra atiçou a minha curiosidade. Valeu a pena o esforço para conseguir chegar até ao livro!


Descrevo-o, sumariamente, como uma "viagem" (literal) pelo universo das palavras.


Dois irmãos naufragam e vão parar a uma ilha onde acontecem coisas muito estranhas com esta matéria-prima, como, por exemplo, casamentos entre palavras, revoltas de palavras e até existe um hospital para as... palavras, claro!


Da minha parte considero que é um livro despretensioso sobre pedagogia, em que se aborda a escrita (intimamente ligada à leitura). É um daqueles livros que nos revigora!


Deixo-vos um pequeno excerto e aconselho-vos uma viagem ao site francês acerca do autor e da obra.


"Certa manhã as palavras recusaram-se a prosseguir a sua vida de escravas. Certa manhã, deixaram de aceitar ser convocadas, a qualquer hora, sem o mínimo respeito, e depois repudiadas num perfeito silêncio. Certa manhã deixaram de suportar a boca dos humanos. Creio que nunca pensaram no martírio das palavras. Onde são preparadas as palavras antes de serem proferidas?" (p. 61)



segunda-feira, outubro 22, 2007

Biblioteca Mil Maravilhas

Hoje na Biblioteca "Mil Maravilhas", da EB1 da Venda do Pinheiro, os elementos do Conselho Executivo foram falar dos livros do "Plano Nacional de Leitura" que cada turma da escola está a explorar. Esta actividade foi desenvolvida hoje só com algumas turmas, pois as comemorações vão ser durante o resto da semana.
No blog da Biblioteca, também recentemente criado (www.bemilmaravilhas.blogspot.com) foi publicada uma reflexão minha, como Coordenadora da Biblioteca, do que é uma Biblioteca Escolar. Foi pedido também a Contadores e alunos para reflectirem por escrito sobre o mesmo tema. Estes textos serão posteriormente publicados no blog da Biblioteca.

Nas Bibliotecas Escolares também há festa!


Hoje, um pouco por todo o mundo, assinala-se o Dia Internacional das Bibliotecas Escolares, este ano subordinado ao lema "Aprender mais e melhor na Biblioteca Escolar". Desde 1999 que a International Association of School Librarianship decidiu comemorar esta efeméride.
Desafio-vos a partilharem as actividades que terão lugar nas vossas escolas ou mesmo dentro das salas de aula ligadas a este propósito.
Da minha parte dou-vos conta das festividades convidando-vos a visitarem o blogue que lançámos hoje no Centro de Recursos Poeta José Fanha. Aguardo a vossa visita em www.centroderecursos-vp.blogspot.com
E "espalhem" a mensagem: "A sociedade que investe na Biblioteca Escolar investe no seu próprio futuro." (Manifesto da UNESCO acerca das Bibliotecas Escolares)

Ler é...

Ler é... acima de tudo, depois de tudo, descodificar, apropriar, transformar, dotar de cheiro e sabor, sonhar, sorrir.

Apresentação minha...

Fazer uma apresentação de mim mesmo através das personagens da minha vida de leitor revelou-se um exercício bastante agradável. Primeiro porque me fez recordar bons momentos quando o tempo para a leitura não precisava de ser roubado a tudo o resto que temos para fazer e que nunca conseguimos concluir, em segundo lugar levou-me a encontrar tempo para ir aos arrumos à procura dos títulos de que irei falar.

O primeiro livro que faz parte das minhas recordações é um livro de B.D. com uma história passada na guerra do Vietname, o qual provavelmente já não existirá a não ser que tenha conseguido resistir à passagem do tempo escondido em alguma caixa perdida em casa dos meus pais. Nessa história um grupo de soldados tentava atravessar o território inimigo a fim de levar de volta para o Q.G. informação vital para o “esforço de guerra”. Escusado será dizer que os heróis enfrentavam uma série de situações extraordinariamente difíceis sendo sempre bem sucedidos, sucesso esse para o qual contribuía sempre e de uma forma decisiva o capitão do pelotão, do qual já não me lembro do nome mas a quem invejava secretamente as aventuras bem como a namorada que surgiu ao longo da história, portadora ela da tal informação vital. Curiosamente nunca soube como a história terminava pois nunca cheguei a comprar o número seguinte da revista. Tantas vezes obriguei a minha mãe a ler-me essa história, ela lá refilava, e muito, mas no fim cedia sempre.

Depois com a escola e a descoberta do prazer da leitura vieram a Ana, a Zé, o Júlio, o David e o Tim – the famous five – os mais fantásticos heróis de sempre! Os livros da colecção eram lidos e relidos ao ritmo de 2 por mês através de um acordo que fiz com a minha mãe e com uma vizinha amiga; desde que eu não tivesse más notas elas iam comprando os livros. A minha personagem favorita era o David, o mano do meio que estava sempre presente quando era preciso ajudar fosse quem fosse. Tantas vezes que eu sonhei com as colinas e as quintas por onde eles passavam, as ilhas e os poços misteriosos, os amigos que encontravam, as aventuras vividas, algumas de meter medo mas que no fim terminavam sempre da melhor maneira.

Também na sala de aula e por intermédio uma professora estagiária descobri que havia crianças que sabiam ser tão fortes como os adultos quando lutam por algo em que acreditam e então a Beatriz e o seu Plátano foram acrescentados à minha lista de heróis.

Por volta dos meus 12 anos li aquele que foi o meu primeiro livro para adultos e vibrei com a aventura, com as graçolas e com o duplo sentido das frases, especialmente este último, com que o meu herói de serviço, o comandante Dirk Pitt no livro a “A chantagem do Vixen 03”, ia descobrindo onde estavam afinal as ogivas preparadas para uma guerra química e que ameaçavam, como não podia deixar de ser, os gloriosos E.U.A.

Anos mais tarde coloquei de lado a minha faceta belicista e encantei-me com Fernão Capelo Gaivota, as suas descobertas, a sua luta e os seus sonhos. Foi um dos livros que mais empolgou. Mais tarde, e para não prolongar muito esta minha apresentação - pois ninguém gosta de conhecer pessoas aborrecidas - encontrei um outro livro que me empolgou muito também. Com Pennac e com o seu “Como um romance” reformulei a minha ligação com os livros e com a sala de aula e dei por mim a sonhar com e a tentar descobrir quem seria ao certo aquele professor que me maravilhava: “Ele chegava às terças-feiras de manhã, desgrenhado pelo vento e pelo frio, na sua moto azul e ferrugenta. Dobrado, com um capote de marinheiro, com o cachimbo na boca ou na mão. Esvaziava um saco de livros em cima da mesa. Era magnífico.”

Magnífico não serei, mas desde então que tento de alguma forma replicar na minha sala de aula os conhecimentos que este livro nos revela…uma vezes com sucesso, outras com alguma tristeza…outras...e foi assim que cheguei às bibliotecas escolares.