terça-feira, outubro 02, 2007

Bibliotecas para quê na era da Internet

Deixo aqui os meus apontamentos à questão levantada na última sessão:

Na biblioteca encontramos, entre outros, material impresso. Este tem algumas vantagens em relação ao virtual, como também algumas desvantagens, pelo que um, não reduz a importância do outro. Entre as vantagens do formato impresso saliento: permite ao leitor estabelecer uma relação mais próxima, mais afectiva (há um contacto corporal). É um formato mais duradouro, permitindo um arquivo mais fiável ao longo do tempo. É também mais prático, por enquanto, já que com facilidade levamos uma revista ou um livro para algum lugar, enquanto o computador há sítios em que se torna pouco prático.
Por outro lado a Biblioteca hoje será um centro de recurso onde o material impresso completa os recursos virtuais desde a Internet, às diciopédias, jogos de variados tipos, etc.

Apresento-vos as minhas personagens!

São tantas as personagens que me têm acompanhado que se converte em tarefa difícil determinar aquelas que por cá ficaram. Algumas estabeleceram comigo laços que se perpetuaram para além de relações familiares ou pactos de amizade, instalaram-se, simplesmente, sem pedir licença!
Deixaram-me "marcas de leitura" especiais personagens como o Hans ("Saga", Histórias da Terra e do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen), por ter partilhado abertamente um relato de vida em que "as suas grandes vitórias seriam as que não tinha desejado e que, por isso, nem sequer seriam vitórias". A "mulher do médico" (Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago), que me deu uma lição de vida, com a sua abnegação e dedicação que venceram a cegueira dos homens e se revelaram um exemplo de amor ao próximo.
Do cinema, o professor John Keating ("Clube dos Poetas Mortos") e o desejo de conseguir instigar nos meus alunos um pouco daquela vontade de ir mais longe, de despertar o prazer pela "descoberta". Carpe diem!

Personagens em busca de um leitor... (proposta de trabalho)

Na última sessão chegou o desafio - apresentarmo-nos través das personagens da nossa vida, ou seja, revelarmos que seres têm urdido as teias da nossa história. Abram-se, então, os livros!

domingo, setembro 30, 2007

As personagens da minha vida...

Neste percurso de vida, ainda com poucos passos dados e muitos por dar, existiram personagens que de formas muitos diferentes me foram marcando, orientando...
Sem ter de pensar muito Eduardo, do filme "Eduardo mãos de tesoura" é sem dúvida um dos personagens da minha vida, se há mundo onde gosto de viver é no da fantasia...
A Amélie e o William Walace, também merecem aqui uma referência!
Em relação a personagens da minha experiência como leitora, são essencialmente duas, e por dois grandes motivos, o Nero (o cão do livro "Os Bichos" de Miguel Torga), porque foi o primeiro livro que consegui ler do principio ao fim, e a mulher do médico (do livro "Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago), porque a partir deste, nunca mais parei de ler, descobri o prazer da leitura que à tanto procurava...
Se calhar... os meus dois professores de Português que me recomendaram estes livros, também merecem um lugar como personagens da minha vida, afinal foram eles que perceberam o alerta quando eu dizia "Não consigo gostar de ler".
Espero ainda, que o meu gosto pela leitura e as minhas orientações como professora, possam, um dia, contribuir para que os meus alunos também descobram este enorme prazer...

PONTO DA SITUAÇÃO

Retomo o navegar neste espaço para efectuar um breve "ponto da situação",sobre o motivo porque participo nesta acção de formação e sobre outros dois itens.

1-Por motivo fortuito tive conhecimento da acção de formação «A biblioteca escolar e as literacias do séc.XXI».Acedi no imediato a participar porque o livro e a leitura sempre foram um eixo basilar,desde tenra infância,no meu desenvolvimento pessoal, em todas as suas vertentes.Em particular,no meu percurso académico e profissional,adquiriram uma relevância absoluta.Num segundo plano,denoto que hoje apesar da divulgação do livro e de diferentes meios audiovisuais, a leitura nem sempre tem progredido neste país;em particular,uma leitura mais rica de conteúdo.Logo,esta acção é mais uma forma de combatermos a iletracia e o comodismo dos tempos actuais,de modo particular junto das crianças e jovens.

2-A obra que referi em artigo anterior,«O Doutor Jivago» de Boris Pasternak foi adaptada ao cinema e teve nos seus principais papéis Omar Shariff e Julie Christie.O filme,tal como o livro, é divino.Uma verdadeira obra prima da sétima arte!

3-Questionado sobre a necessidade de bibliotecas na era da internet,desejo reflectir sobre dois aspectos:
-Actualmente confunde-se a internet como um fim último.Na minha opinião,creio que a internet é e deve ser sempre um instrumento e não um fim.O livro,pelo contrário,pode ser instrumento e meio de alcançar vários objectivos mas,é sobretudo um fim específico porque para isso foi criado pelo autor.
-Na era da internet precisamos de Bibliotecas porque...a informação contida na internet é limitada no espaço temporal.Hoje,milhões de gigabytes de informação perdem-se e apagam-se ao fim de um determinado tempo.O livro,dada a sua especificidade mantem-se sempre actual como obra única,como meio ou instrumento,com uma individualidade muito própria e irrepetível.A Biblioteca,dada a sua natureza de persevação e divulgação,será sempre o lugar, por excelência e direito, de contacto com o livro.

Bom resto de Domingo,poupe a retina ocular frente ao seu p.c.,pegue num livro e desfrute-o...

Personagens da minha vida

Adoro ler, é pena que só nas férias tenha tempo e disponibilidade mental para o fazer, em termos de leitura recreativa, é claro . Pois no dia a dia falta-me o tempo e também o cansaço que não me permitem dedicar tempo a esta actividade de que tanto gosto.
Dos livros que li enquanto criança, marcaram-me muito os da colecção "Os Cinco", que levantava na biblioteca itinerante que vinha às aldeias, talvez porque nessa idade me identificava muito com as suas personagens e a suas aventuras. Enquanto adolescente os que mais me marcaram foram Teresa e Simão da história de Camilo Castelo Branco do livro "Amor de Perdição", assim como a vida de Anne Frank onde pela primeira tive conhecimento de como era a vida no tempo do nazismo e como é que uma rapariga da minha idade conseguia suportar tudo aquilo. Actualmente tenho lido vários, desde" A Filha do Capitão", "A Fórmula de Deus" e "A Ilha das Trevas " de José Rodrigues dos Santos o "Equador" de Miguel Sousa Tavares e vários de Isabel Allende, entre outros. Sinceramente gostei imenso de todos, tenho alguma dificuldade em dizer qual a personagem que mais gostei, mas talvez tenha sido o Afonso do livro "A filha do Capitão".

O PERSONAGEM DA MINHA VIDA

Eis que lanço-me sem rede nesta aventura,ou seja,escrevo directamente do coração e sem rascunho.Estou meio a tremer,como um puto que saboreia algo pela primeira vez...
O mundo dos livros é algo que faz parte intrínseca da minha forma de estar na vida.Muitos me marcaram e acredito que,mesmo depois de lidos,há sempre uma relação perene que nunca se esfuma.
Um deles foi e é « O Doutor Jivago» de Boris Pasternak(Prémio Nobel da Literatura-1958,com esta mesma obra).
A personagem de Iuri Jivago,filho de um industrial russo,órfão de pai e mãe,criado por uma família moscovita,médico militar,vive o grande amor da sua vida,Lara, em plena guerra civil da revolução de 1917.No entanto,aquele homem consegue sempre manter a esperança no seu semelhante.Para além do enquadramento do amor dividido por Lara e Tonia,sua esposa e filhos,consegue suplantar-se e amar os filhos enfrentados da Rússia.Arrisca o conforto do lar ou do seu amor primeiro,Lara,para ir por um caminho de guerra civil ajudar,cuidar e dar-se aos militares feridos ou moribundos.Mais do que o homem apaixonado,russo branco ou russo vermelho,ele revela o espírito contemplativo e de esperança que sempre caracterizou o homem russo.Em Varykino, quando os lobos uivavam na noite e Lara deseperava,Jivago demonstra estes atributos,como sempre demonstrou junto dos seus doentes ou militares feridos, ou ao longo dos seus piores momentos de vida:
-Exageras,o crepúsculo ainda está distante.
Creio que é uma forma de se estar na vida muito poética,mas realizável;amar o belo que há na vida,ter esperança e não desistir.
Continuo a acreditar que a noite está distante.