Eis que lanço-me sem rede nesta aventura,ou seja,escrevo directamente do coração e sem rascunho.Estou meio a tremer,como um puto que saboreia algo pela primeira vez...
O mundo dos livros é algo que faz parte intrínseca da minha forma de estar na vida.Muitos me marcaram e acredito que,mesmo depois de lidos,há sempre uma relação perene que nunca se esfuma.
Um deles foi e é « O Doutor Jivago» de Boris Pasternak(Prémio Nobel da Literatura-1958,com esta mesma obra).
A personagem de Iuri Jivago,filho de um industrial russo,órfão de pai e mãe,criado por uma família moscovita,médico militar,vive o grande amor da sua vida,Lara, em plena guerra civil da revolução de 1917.No entanto,aquele homem consegue sempre manter a esperança no seu semelhante.Para além do enquadramento do amor dividido por Lara e Tonia,sua esposa e filhos,consegue suplantar-se e amar os filhos enfrentados da Rússia.Arrisca o conforto do lar ou do seu amor primeiro,Lara,para ir por um caminho de guerra civil ajudar,cuidar e dar-se aos militares feridos ou moribundos.Mais do que o homem apaixonado,russo branco ou russo vermelho,ele revela o espírito contemplativo e de esperança que sempre caracterizou o homem russo.Em Varykino, quando os lobos uivavam na noite e Lara deseperava,Jivago demonstra estes atributos,como sempre demonstrou junto dos seus doentes ou militares feridos, ou ao longo dos seus piores momentos de vida:
-Exageras,o crepúsculo ainda está distante.
Creio que é uma forma de se estar na vida muito poética,mas realizável;amar o belo que há na vida,ter esperança e não desistir.
Continuo a acreditar que a noite está distante.
domingo, setembro 30, 2007
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