Cada um lê de uma maneira própria…
No meio da sala, num cantinho escondido, numa mesa de café, no autocarro, na biblioteca, na cama.
Mas também…
Junto à lareira no Inverno, no meio da verdura inebriante de um jardim na primavera, no fresco da brisa nocturna no Verão.
Ou ainda…
De pé, sentado, de pernas para o ar, deitado.
Porventura…
De dia, de tarde, de noite.
Por vezes…
A tomar chá ou café, a beber uma cerveja, a comer amendoins.
Eventualmente…
Vestido de fato e gravata, de fato de treino, de calções, de pijama.
Alguns…
Com um lápis roído na mão ou a torcer e retorcer uma ponta de cabelo.
Há quem o use apenas para cumprir uma função: marcar a página em que se parou a leitura sem ter que a dobrar ou danificar.
Mas o marcador traz consigo uma mensagem. É colorido ou sombrio. Reproduz uma obra de arte. Traz um desenho. Fala por vezes de outro livro.
O marcador é um amigo, uma espécie de mediador entre nós, o livro que lemos e o próprio acto de leitura. O marcador acaba por falar connosco, acrescentando um “ruído” de fundo aquele maravilhoso acto de ler em solidão.
Tenho a certeza de que o mundo fica mais feliz quando procuramos equilíbrio entre as coisas. Por isso, a escolha de uma coisa tão simples como um marcador pode ser um acto arbitrário uma atitude estética e ética como, no fundo, são todas as escolhas.
José Fanha
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